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O olhar de Santa Catarina no dia a dia da política nacional. O que acontece em Brasília e os feitos no Estado das decisões tomadas na capital do país.

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Temer dribla descontentes

Por Carolina Bahia

24/02/2018 - 18h39

O presidente Michel Temer encerrou a semana tentando apagar um incêndio provocado pelos seus próprios aliados. Questionado se será candidato à reeleição, ele negou a intenção, embora ministros, deputados e marqueteiros tenham alimentado boatos de que o peemedebista se prepara para defender o próprio legado. Tudo, é claro, se a intervenção no Rio de Janeiro apresentar resultado prático, se a popularidade do presidente reagir e se o PMDB abraçar de fato a ideia. Temer não confirma o que os seus defensores têm afirmado nos bastidores porque a candidatura é ainda uma hipótese e também porque precisa deixar as portas abertas. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), já demonstrou desconforto em ver mais uma candidatura de centro se apresentando. Sem hesitar, chamou a agenda econômica de Temer de café frio. Maia tem razão, não há novidade na pauta do Planalto. Mas o ataque foi recebido pelo governo como um recado de quem está interessado em ser protagonista nesta eleição. Quem também reagiu foi o ministro Henrique Meirelles (Fazenda). Ele acalenta o sonho de ser candidato à Presidência, quem sabe até mesmo pelo PMDB. Diante dos movimentos de Temer, Meirelles procurou marqueteiros experientes e começou a se expor mais. Sabe que precisa se tornar conhecido. Além do peso de defender o legado do atual governo, Temer, Maia e Meirelles têm em comum a falta de popularidade e carisma. Viabilizar uma candidatura à presidência não será fácil para nenhum dos três. Foro privilegiado Com a PEC sobre o fim do foro privilegiado parada no Congresso em função da intervenção no Rio de Janeiro, para alívio de muitos parlamentares enroscados com a Justiça, o assunto agora está nas mãos do Supremo Tribunal Federal. E deve entrar em pauta logo. O ministro Dias Toffoli prometeu que vai liberar o tema para o plenário até o final de março. O julgamento foi interrompido por um pedido de vista de Toffoli, mas já há maioria para restringir o foro para crimes cometidos durante e em função do mandato. Uso eleitoreiro O ex-ministro da Cultura de Temer Marcelo Calero, pivô da demissão do então ministro Geddel Vieira Lima (hoje preso em Brasília), tem feito críticas nas redes sociais à intervenção no Rio de Janeiro. À coluna Calero afirmou que algo precisava ser feito, inclusive em função da “incompetência” do governador Luiz Fernando Pezão, mas vê com preocupação o uso eleitoreiro da ação: - A gente sabe que as Forças Armadas tem potencial para contribuir para que a situação melhore. Agora o que a gente viu, nessa primeira semana, foi um uso eleitoral.  O governo tinha até a propaganda pronta, mas não tinha planejamento. Frase "Cogitou-se num primeiro momento, mas logo afastei a ideia. Seria uma coisa muito radical e logo refutei. Ficamos com a conclusão que deveríamos intervir na área de segurança pública".  Michel Temer ao comentar a possibilidade de uma intervenção total no Rio de Janeiro.  Leia todas as publicações de Carolina Bahia

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Eles vivem em uma bolha?

Por Carolina Bahia

23/02/2018 - 09h36

Integrantes da Associação dos Juízes Federais (Ajufe) que chegaram a apoiar a ideia de paralisação em razão do fim do auxílio-moradia só podem viver em uma bolha. Em tempos de combate aos privilégios e descontentamento com a morosidade da Justiça, uma eventual greve não poderia ser mais impopular. A presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Cármen Lúcia, marcou para o dia 22 de março o julgamento que trata do fim do privilégio, provocando esse movimento. Ao mesmo tempo, tramita no Congresso proposta sobre o teto do funcionalismo, eliminando penduricalhos como o auxílio-moradia no valor de R$ 4.378,00. A ideia é acabar com o benefício para integrantes do judiciário e do Ministério Público que já possuam residência na cidade onde trabalham. Medida, aliás, que poderia ser estendida a parlamentares e ministros do Tribunal de Contas da União (TCU). Bola de cristal Quem tem bola de cristal na bancada catarinense afirma que o PSD vai encolher no Estado, com a volta de políticos para o DEM. Eles vão aproveitar o período da janela partidária, entre março e abril. Resistências O Conselho Nacional de Secretários de Justiça decidiu encaminhar nota oficial à Presidência da República contra a saída do Departamento Penitenciário (Depen) do Ministério da Justiça. A ideia do governo é abrigar o departamento no novo Ministério da Segurança. Existe Plano B Apesar do discurso da cúpula do PT, um plano B para as eleições deste ano que começa a ser desenhado por figuras bem próximas ao ex-presidente Lula. O jantar do ex-prefeito Fernando Haddad (PT-SP) com o Ciro Gomes, nome do PDT à Presidência da República, faz parte dessa estratégia. Frase “O Ministério da Fazenda é etapa cumprida. Estou cogitando agora essa possibilidade da Presidência. Dentro de 40 dias tomarei a decisão para tentar servir ao país de forma mais abrangente." Henrique Meirelles, ministro da Fazenda, sobre eventual candidatura à Presidência da República. Leia todas as publicações de Carolina Bahia Veja também: Carapuça eleitoral

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Carapuça eleitoral

Por Carolina Bahia

22/02/2018 - 09h58

Ao contrário do que disse o porta-voz da Presidência da República, a intervenção no Rio também tem um caráter eleitoral. É claro que algo precisava ser feito pelos órgãos de segurança, diante da profunda crise na segurança pública. Mas neste momento do calendário político seria ingênuo descartar que existe uma estratégia voltada para os palanques. A iniciativa serve como embalagem para uma eventual candidatura de Michel Temer. O fato político está criado, a partir do momento em que os marqueteiros do presidente espalham por aí as suas opiniões sobre essa possível candidatura. Ao mesmo tempo, deputados da tropa de choque do peemedebista passam a comentar que ele terá o nome na urna. Se colar, colou. Difícil será apagar o passado de duas denúncias apresentadas pela Procuradoria-Geral da República, sem falar nos aliados presos e ministros enrolados. A estratégia do Planalto é tão clara que já causa mal-estar entre aliados que também tentam se cacifar na disputa presidencial. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), não esconde a irritação com a chamada pauta econômica lançada pelo Planalto. FARDADO Edinho Bez (PMDB-SC) se prepara para voltar à Câmara a partir do dia 5 de abril. Suplente, ele poderá ser beneficiado por um eventual afastamento de João Rodrigues (PSD), que está preso, ou por outro acordo dentro da coligação. BANCADA DA PAPUDA O comentário na bancada catarinense é que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), não estaria disposto a enfrentar novas críticas com a chamada “bancada da Papuda”, o famoso presídio da capital federal. Advogados do deputado João Rodrigues (PSD) conseguiram ontem que ele seja transferido para o Centro de Detenção Provisória de Brasília. A ideia da defesa é que Rodrigues trabalhe durante o dia e volte para a cadeia à noite. NA REAL De um deputado, depois de mais uma rodada de audiências com prefeitos que estão em Brasília, lotando gabinetes, negociando a liberação de emendas parlamentares: - Sabe o que eu fiz nesta semana aqui? Eu comprei voto. FRASE  “Essa é uma questão extremamente delicada porque envolve a preservação da liberdade individual. Então, é preciso que o STF realmente delibere, independentemente da orientação que vier a ser estabelecida, seja mantendo a diretriz hoje prevalecendo, seja modificando-a. Mas é importante que haja um pronunciamento do STF.” Celso de Mello, ministro do STF, defendendo que Supremo se pronuncie sobre a prisão em segunda instância. Leia todas as publicações de Carolina Bahia

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De volta ao jogo

Por Carolina Bahia

21/02/2018 - 10h38

A intervenção no Rio de Janeiro está servindo de bote salva-vidas para o governo Temer. Basta observar as expressões de seus principais conselheiros políticos para identificar aquele ar satisfeito de “estamos de volta ao jogo”. Para Michel Temer e seu grupo do PMDB abraçar a causa da segurança pública a oito meses das eleições presidenciais significa um fôlego, depois de amargar tanto tempo no brete de duas denúncias da Procuradoria-Geral da República e de uma pauta impopular como a reforma da Previdência. É por isso que o ministro Eliseu Padilha (Casa Civil) não descarta a hipótese de Temer concorrer à reeleição. Os peemedebistas mais empolgados acreditam que o presidente tenha condições de recuperar popularidade e assumir a candidatura para defender o próprio legado. Se ele não se viabilizar eleitoralmente – o que é o mais provável - ao menos ganha fôlego para negociar alianças. Do jeito que está hoje, com popularidade pífia, Temer é considerado um aliado tóxico. Ao mesmo tempo, a bandeira da segurança é uma jogada de alto risco. Sem planejamento para essas ações no Rio e com orçamento curto é difícil vislumbrar sucesso no curto prazo. Gato escaldado O líder do PTB na Câmara, Jovair Arantes (GO), chegou a consultar a bancada, mas os parlamentares sondados não toparam assumir o Ministério do Trabalho. E depois do desgaste de Cristiane Brasil (RJ), os deputados ficaram escaldados. Protagonismo Os presidentes do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE) e da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) não gostaram da pauta econômica que o governo anunciou, como se fosse um prato feito do Ministério da Fazenda para o Congresso. Isso porque boa parte das medidas já tramita em uma das Casas. Passeio Prefeitos e vereadores tomaram conta dos gabinetes de deputados no início desta semana, em Brasília. Eles desembarcam na capital federal em busca de emendas. Há uma lógica para a presença dos prefeitos, que estão em busca de recursos. Mas o que vereadores estão fazendo, mesmo, tão longe de casa? FRASE “Se cabem buscas e apreensões gerais nas favelas do Rio, cabem também nos gabinetes do Congresso. Alias, as evidências existentes colocam suspeitas muito maiores sobre o Congresso, proporcionalmente, do que sobre moradores das favelas, estes inocentes na sua grande maioria.”  Do coordenador da Força Tarefa da Lava-Jato, Procurador Deltan Dallagnol ao comentar os mandados de busca e apreensão coletivos defendidos pela União para as operações no Rio de Janeiro. Leia todas as publicações de Carolina Bahia

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O alívio dos aliados

Por Carolina Bahia

20/02/2018 - 10h39

Alguns dos principais aliados do presidente Michel Temer mal conseguem esconder o alívio com a impossibilidade de votar a reforma da Previdência enquanto durar a intervenção na segurança do Rio de Janeiro. Os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), determinaram a suspensão da votação da emenda à Constituição e ainda fecharam acordo para concentrar os debates em projetos voltados para segurança, o assunto do momento. Deputados da linha de frente na defesa das mudanças na aposentadoria, que alegavam ser fundamental essa aprovação para o sucesso da economia, ainda tentam manter as negociações na ordem do dia. Eles fizeram um apelo a empresários para que continuem tentando cabalar votos a favor da proposta. Na prática, a reforma foi para a geladeira e só será descongelada pelo próximo presidente da República. As manifestações de ontem, por exemplo, já estavam totalmente descoladas da nova pauta de Brasília. Os marqueteiros do presidente comemoraram. Já era Uma reunião entre governadores e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), para debater as mudanças na Previdência, que deveria ter ocorrido ontem, foi cancelada na véspera. O compromisso chegou a entrar na agenda do governador em exercício, Eduardo Pinho Moreira. Essa é a prova de que a reforma já era. Você vem O presidente da Câmara cobrava ontem, pelo telefone, a presença dos deputados no plenário para a votação da intervenção no Rio. Ele conseguiu que vários deputados antecipassem o voo de segunda-feira. A pergunta se repetia ao longo do dia: — Mas você vem, né?! Não vota Decidido a votar contra a intervenção, o PT reclamava da falta de informações sobre a operação militar no Rio de Janeiro. Deputados e senadores cobravam a previsão de custos e também os resultados práticos da presença de militares que já estão em comunidades do Rio. Frase “Se for para fazer uma intervenção e daqui a cinco dias dizer que foi um equívoco porque precisa votar matéria A ou matéria B, não teria sentido ter feito a intervenção." Eunício Oliveira (PMDB-CE), presidente do Senado, ao comentar que não faz sentido extinguir a intervenção na área de segurança do Rio de Janeiro para votar a reforma da Previdência. Leia todas as publicações de Carolina Bahia

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Temer (centro) assina decreto com o governador Luiz Fernando Pezão (dir.) e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (esq.)

O diabo está nos detalhes

Por Carolina Bahia

19/02/2018 - 14h25

Quanto exatamente vai custar e como vai funcionar o plano de intervenção do governo federal no Rio? Essas são algumas das questões que o presidente Michel Temer e o novo interventor no Rio de Janeiro ainda precisam esclarecer, assegurando um caráter mais prático e técnico a algo que, até agora, está apenas na esfera política. Como era de se esperar, demanda semelhante vai partir de outros Estados, dentro de um espírito eleitoreiro. A força-tarefa que o Planalto enviou ao Ceará é um exemplo. Que o Estado também enfrenta séria crise na segurança, não há dúvida. Mas o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE) precisa dar uma resposta política ao seu Estado. E lá vão as forças federais. Na falta de um Plano Nacional de Segurança, de ações claras dos governadores, de critérios no uso do orçamento público, o país está partindo para o improviso. O presidente Temer marca a volta dos trabalhos no Congresso com uma reunião com o Conselho de Defesa, na presença dos líderes dos partidos. É agenda de candidato.

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Intervenção é nova cartada de Temer

Por Carolina Bahia

18/02/2018 - 15h53

Às vésperas de sofrer uma das maiores derrotas políticas de seu mandato, sem votos para aprovar a reforma da Previdência, o presidente Michel Temer lançou mão de uma cartada, mudando a pauta de maneira radical. Do dia para a noite, o principal assunto de Brasília deixou de ser a impopular mudança na aposentaria e passou para o socorro à segurança pública. Com uma ação inédita, classificada pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), como um “salto triplo, sem rede”, Temer anunciou a intervenção no Rio, com um ato ousado, mergulhando de vez no clima eleitoral. Se vai dar certo, são outros quinhentos. O fato é que ele afastou – pelo menos, por enquanto - o clima de café frio que tomava conta do Planalto. A preocupação com a falta de segurança é o que está na cabeça de todo brasileiro, independentemente do nível social e da Região do país. Será o principal assunto das eleições de 2018. Vale lembrar que, até agora, o governo nada fez pela segurança. Se existisse, por exemplo, um plano nacional de segurança eficaz talvez o Rio não tivesse chegado a esse nível de terror. Sem uma política para o setor, o governo arrisca tudo com a intervenção sob o comando de generais. Na crise dos presídios no Espírito Santo, as tropas foram recebidas com aplausos. No Rio, os soldados já circulam pelas comunidades. Quem acompanhou o anúncio no Palácio do Planalto sentiu falta do detalhamento das ações. Não há dúvida de que o Rio sofre com uma crise de autoridade. Enquanto a violência pegava fogo em pleno Carnaval, o governador Luiz Fernando Pezão e o prefeito Marcelo Crivella aproveitavam a folga longe do caos. A responsabilidade, agora, foi repassada para o presidente da República. É dele que os fluminenses vão cobrar daqui a alguns meses. – É uma medida necessária. O governo materializa o seu compromisso com a segurança – reforça o ministro Eliseu Padilha (Casa Civil). O lançamento do Ministério da Segurança Pública, com um nome de destaque no comando, também faz parte da estratégia para bombar a nova bandeira de Temer: de reformista, ele sonha em virar um “homem da segurança”.  Oficialmente, o discurso é que as negociações da reforma continuam. Nos bastidores, deputados já comemoraram o enterro e estão prontos para vestir a nova farda. Frase “Não perdemos esse controle. Vemos um aumento forte da criminalidade, em áreas que precisamos muito da ajuda do Exército, da Marinha, na área das baías. A gente está vivenciando um momento muito difícil, que só as nossas forças de segurança não dão vazão a tantas demandas”.  Luiz Fernando Pezão, governador do Rio de Janeiro, tentando justificar que o governo não perdeu o controle no combate à violência.  Leia todas as publicações de Carolina Bahia

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José Cruz/Agência Brasil

Sergio Etchegoyen: a gota d´água para a intervenção foi o oba-oba do Carnaval

Por Carolina Bahia

16/02/2018 - 20h23

Um dos principais responsáveis pelo programa de intervenção federal no Rio de Janeiro, o general Sergio Etchegoyen, ministro do Gabinete de Segurança Institucional, avisa que não haverá solução mágica, mas que o Estado não tinha mais condições de enfrentar a crise. Nesta entrevista à coluna, no seu gabinete no quarto andar do Palácio do Planalto, Etchegoyen explicou porque essa medida tão radical é necessária e os riscos para Michel Temer. Gaúcho, de Cruz Alta, ele é hoje o homem de confiança do presidente e conselheiro nos temas de defesa e segurança.  Por que houve a decisão pela intervenção federal no Rio, uma medida tão drástica?  Quando tu estás trabalhando na Garantia da Lei e da Ordem (operação militar nos Estados, de maneira episódica), tu estás trabalhando em cooperação, e tu não comandas, é por adesão. Agora não dá mais. Agora tu tens que assumir o comando de  toda essa estrutura e ter resultado.  Qual foi a gota d’água? O Carnaval. A absoluta insegurança das pessoas, a impossibilidade de andar na rua. O oba-oba que aconteceu no Carnaval de rouba tudo, leva tudo. O Carnaval demonstrou o seguinte: realmente não dá, eles (o Estado) não vão conseguir. O que leva vocês a acreditarem que essa intervenção vai fazer com que a Polícia Civil e a Polícia Militar do Rio trabalhem em conjunto com a União para que se tenha um resultado positivo? Há o problema da corrupção... A Polícia Militar e a Polícia Civil no Rio têm profissionais muito bons. Eles também têm gente comprometida com o papel deles. Eu não sei que interlocução, que espaço eles têm para ocupar. Agora, o general (interventor) terá que tomar decisões duras. Que decisões são essas? O que vai mudar na rotina do cidadão, na prática? Um diagnóstico, um planejamento ainda serão feitos. Quando eu digo que as pessoas também têm que ajudar é preciso entender que não estamos dizendo uma palavra mágica, um abre-te sésamo que amanhã de manhã está tudo resolvido no Rio de Janeiro.  O próprio governador do Estado achou que era boa a solução. O nível de conversa, de convencimento do Pezão foi quase de adesão imediata.  E se a intervenção não resolver? Não é grande o risco de desgaste?  Muito. Mas existia um outro desgaste, que é cruzar os braços e deixar que o Rio resolva. E existe essa alternativa, que pode ser que dê certo. Temos certeza que vai dar certo. Tem risco? Tem. O outro risco é deixar a tragédia do tamanho que está, porque eles não têm condições de resolver sem o apoio da União.  Ao mesmo tempo, essa intervenção tem reflexos políticos lá na Câmara, na votação da reforma da Previdência... Essas eram as opções, uma escolha de Sofia. O presidente, quando começou a falar sobre isso, disse que tinha dois objetivos muito importantes na mão: Previdência e a segurança. Então, ele tentou montar uma solução, um modelo que fosse possível transitar de um para outro. Isso não pode desencadear pedidos semelhantes de outros Estados em crise? Claro que pode. Também está nas considerações da decisão tomada. Existe um monte de “ses”. Todos esses “ses” pode te deixar sentado sem fazer nada ou botar a cara na janela para apanhar.  As Forças Armadas são preparadas para fazer a segurança pública?  Não. Mas por que as Forças Armadas estão lá? Porque a polícia não dá conta. No Rio Grande do Norte, por exemplo, há 13 anos não tinha concurso para a Polícia Militar, tem 25% do efetivo da Polícia Civil e aí precisa das Forças Armadas. Por quê? Porque as Forças Armadas querem ir ou por que as prioridades locais nunca foram essas? Essa é a questão. A raiz do problema não é o emprego das Forças Armadas lá, o cerne da questão é a incapacidade das organizações locais resolverem o problema. A operação no Rio está marcada até dezembro. Vocês só retiram a operação de lá quando as forças locais estiverem prontas para assumir a segurança? Quando a situação de normalidade ou a situação voltar a um cenário mais próximo da normalidade. Hoje é dramático.  O senhor é a favor  da criação de um Ministério da Segurança Pública? Eu acho que é bom. Tu passas a centralizar na União, com uma única autoridade, o apoio à segurança pública. A União precisa se reorganizar. Hoje isso é uma tarefa do Ministério da Justiça e Segurança Pública, mas entram também mais dois ministérios: Defesa e o GSI. Tem que ter alguém que centralize a política. Mais um ministério é solução para a crise? Não. Essa é uma solução política-administrativa. A solução para a crise da segurança está na educação.  Como sociedade,  perdemos algumas referências, alguns limites. As cenas de um saque no Rio de Janeiro, aquilo é saque de lata de cerveja, não é saque de famintos. Aquilo é saque de déficit moral, de certeza de impunidade, de deboche.  Estamos vivendo em alguns lugares do Brasil um delírio coletivo, uma maluquice geral.  A base da crise é ausência do Estado no sistema prisional, hoje controlado por facções criminosas? Há um sistema inteiro de segurança pública comprometido por leis lenientes, por interpretações equivocadas, por falta de valorização da polícia, por falta de meios para a polícia trabalhar, por corrupção e por falta de educação.  Vivemos o tempo das consequências do que nós, como sociedade, fizemos. Vivemos uma crise aguda que tem a ver muito com costumes, com cultura, com tolerância descabida e com perda de limite. Temos uma sociedade que perdeu a disciplina social.  A segurança vai ser um tema presente nas eleições deste ano? Vai ser o tema número um dessa campanha, quem quiser se eleger vai ter que discutir isso. 

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Factoide eleitoral

Por Carolina Bahia

16/02/2018 - 09h54

A criação de um Ministério da Segurança Pública é factoide a oito meses das eleições. Desde que assumiu a Presidência da República, em maio de 2016, o presidente Michel Temer sabe que a segurança pública é um dos principais problemas do país. À época, assessores mais próximos alardearam que essa seria uma das prioridades, já que o pemedebista teria apenas dois anos e quatro meses de administração pela frente. O tempo passou e até agora uma política nacional de segurança pública não foi implementada. Houve apenas uma reação no auge da crise dos presídios, mas sem efeitos práticos. Hoje, quem responde na prática pelas ações de segurança é o ministro Raul Jungmann (Defesa). Mas justiça seja feita: também a então presidente Dilma nada havia feito de efetivo na área de segurança pública. A falência do sistema prisional, base da crise, é resultado de anos de inoperância da União e dos governos estaduais. Sem uma política de segurança pública clara, com planejamento e previsão de recursos, será apenas mais uma pasta para acomodar aliados. É confisco? Proposta sobre a reforma da Previdência nos Estados apresentada aos secretários de Fazenda contém duas alternativas para a crise das finanças públicas: a criação de um fundo de ativos ou o aumento de alíquota cobrada dos servidores para até 22%. O secretário Renato Lacerda acompanhou os debates e saiu com a missão de fazer um levantamento sobre o déficit da Previdência pública em Santa Catarina. — A proposta precisa ser bem estudada para não ferir direitos. Não pode ser um confisco. Asfalto Mais um entrave no caminho das obras de infraestrutura. Há um descompasso entre os preços do asfalto praticados pela Petrobras e o previsto nos contratos com as empreiteiras responsáveis por obras em estradas. O reajuste não ocorre na mesma proporção. Apressados De deputados da bancada ruralista sobre a notícia de que o governo pretende colocar em debate a reforma da Previdência, mesmo sem os votos necessários para a aprovação: — Estão querendo antecipar o fim do governo? Ele sabe Se o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), já está dizendo que chegou a hora de mudar a pauta do governo, é porque não tem mais esperança de votar a reforma da Previdência. Responsável pela costura no Senado, Jucá conhece o Congresso como ninguém. Frase “Se não se pode votar agora, que se mude a pauta, que se votem outras questões importantes e que se deixe para um momento propício, onde houver maioria, para se aprovar esse tema. Agora, que isso terá que ser votado em um determinado momento, terá que ser votado. O país não pode fugir desse enfrentamento.”  Romero Jucá (PMDB-RR), líder do governo no Senado. Leia todas as publicações de Carolina Bahia

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Carnaval na política

Por Carolina Bahia

15/02/2018 - 12h30

Bronzeado, depois dos dias de folga longe de suas obrigações no governo do Rio, Luiz Fernando Pezão desembarcou na Cidade Maravilhosa para admitir que houve falha na segurança do Carnaval. Com a maior desfaçatez, afirmou que não estavam preparados para evitar a violência. Como assim? Quem não sabia que uma operação especial precisava ir às ruas? A declaração do governador é o retrato de um Estado falido, engolido pela corrupção, pela incompetência na gestão e pela implosão da política local. Não espanta, portanto, que o Carnaval do protesto tenha saído vitorioso da Marquês Sapucaí. É verdade que faltaram as imagens nefastas de Eduardo Cunha e Sérgio Cabral – os dois presos – para fazer companhia ao vampirão que representava o presidente Michel Temer. Mas a Beija-Flor e a Tuiuti viraram o principal assunto deste início de ano e marcaram a história do Carnaval porque colocaram o dedo na ferida. Segurança O Conselho Nacional de Chefes de Polícia se reúne na segunda–feira com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), para debater a votação de um pacote para a segurança pública. Se as negociações da reforma da Previdência fracassarem – como tudo indica – essa pauta deve se tornar prioridade na Casa. Entre os projetos estão o aumento de pena para crime patrimonial, pena de reclusão de até oito anos para uso de escudo humano e a criação de um sistema nacional de segurança pública. Bancada da Papuda Se o TRF4 autorizar a transferência de João Rodrigues (PSD-SC) para o regime semiaberto em Brasília, ele passará a integrar a bancada dos políticos presidiários na capital federal. A Rede já protocolou no Conselho e Ética da Câmara representação por quebra de decoro contra Rodrigues, Paulo Maluf (PP-SP) e Celso Jacob (PMDB-RJ). Demorou A prefeita de Boa Vista, Teresa Surita (PMDB), reconhece que o governo federal demorou demais a agir no caso da entrada dos venezuelanos no Brasil. Para ela, essa é uma crise humanitária, que precisa da forte presença da União para assegurar ao atendimento às pessoas que chegam ao Brasil em busca de uma vida melhor. Direitos Humanos Chama a atenção o silêncio de tradicionais representantes dos direitos humanos no Brasil sobre a situação dos venezuelanos. Fugindo da miséria, famílias vagam pelas ruas de Boa Vista em busca de emprego. Frase “Voltar a amar o próximo e exercer a fraternidade, a solidariedade e o perdão é uma necessidade premente e urgente da sociedade atual”.  Cármen Lúcia, presidente do Supremo Tribunal Federal, durante lançamento da Campanha da Fraternidade da CNBB que este ano tem como tema “Fraternidade e Superação da Violência”.  Leia todas as publicações de Carolina Bahia

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